A cabala do dinheiro

Leitura agradável a desse livro do rabino Nilton Bonder. Não se trata de novidade nas livrarias, nem receita de auto-ajuda de prosperidade, para os mais desavisados. Trata-se de reflexão cabalística (porque do domínio do segredo, ou do que está mais além) que demonstra uma visão positiva do mercado, e como a ética é relevante nos negócios.

cabala

O prefácio de Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, ressalta: “é preciso evitar que, como na Torre de Babel, a atividade econômica se torne um fim em si, produzindo mais do que o necessário e até gerando fome à sua volta”. De fato, nestes tempos de crise econômica, abre-se a reflexão sobre por que ela se instaurou, como reagir a ela, além de uma série de questões éticas. Sobre a causa… Seria advinda da inépcia e corrupção do governo e dos políticos? Do próprio momento do sistema capitalista mundial? Da especulação sem limites? Talvez uma combinação desses fatores? As reações podem incluir: reavaliação de metas, mais controle de gastos, reflexão sobre nossas escolhas pessoais e políticas, etc…

O mais interessante é que a visão religiosa da cabala permite ver a relação entre esse mundo e outros. Seriam quatro as “dimensões da realidade” segundo a visão judaica: “Assiá”, a realidade física; “Ietsirá”, o mundo da formatação, emocional; “Briá”, o mundo da criação, mental; e “Atsilut”, o mundo das emanações, do domínio espiritual. Esses mundos se intercomunicam, e é preciso ter uma visão holística para tanto. É daí que se pode compreender os ciclos de riqueza ou de sorte como elementos de aprendizado nosso sobre esses outros mundos. Passamos por momentos de aflição às vezes para nos reconectarmos com o mundo espiritual, e devemos ter cuidado quando somos agraciados com a prosperidade: “o Senhor te abençoe e te guarde”, pois a “sorte” num mundo tem consequências nos demais.

Critica-se muito o capitalismo, ou melhor, suas vicissitudes, seu aspecto “selvagem”. Esse é o sistema que tira de um para pôr nas mãos de outro, criando riqueza ao lado de antirriqueza. A falta de ética em tais práticas gera momentos de crise, assim como o roubo de tempo, o roubo de riqueza e de expectativa. Uma conduta correta dos entes do mercado gera preços corretos e corrige distorções de tal maneira que todos possam se beneficiar de tais trocas. Afinal, não estamos só falando de dinheiro, mas das nossas vidas. Pois uma vida ordenada financeiramente é uma vida em que há tranquilidade (sem dívidas!), em que abre-se espaço para harmonia, segurança, prosperidade (pensando principalmente em realizações pessoais).

Como ressalta Bonder, o dinheiro é o sinal de confiança (não é à toa as inscrições “In God we trust” “Deus seja louvado” nas notas de dólar, real…) pois trocamos papéis e acreditamos que eles valem algo. E se nas nossas relações interpessoais não temos um nível mínimo de confiança, não há como haver negócio (gesheft). Que possamos ter confiança e fé para seguir na nossa jornada de trocas nesse mundo! Feliz 2016… 😉

Para saber mais:

Nilton Bonder. A cabala do dinheiro. Rio de Janeiro: Rocco, 2010 [1999].

Publicado por

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s