Todos CONTRA a Educação?

Finda-se 2019. Não se pode dizer que é “cedo demais” para fazer avaliações sobre o atual (des)governo. Já testificamos todo o potencial de destruição que ele encerra. E uma das áreas em que isso é mais pavoroso é a Educação. (Sim, porque há outros em que situação se configura paralela, como o Meio Ambiente, a Cultura, as Relações Exteriores, e a Saúde.)

Neste ano, vimos ministros que parecem ter maior condicionamento como relações públicas ou bedéis, pois passam boa parte do seu tempo divulgando suas opiniões pessoais sobre os mais diversos assuntos (muitas vezes totalmente alheios à sua pasta) nas redes sociais; ou tentando regrar o comportamento de alunos e professores.  Em tudo isso, os dois ministros que estiveram à frente da pasta mais para atrapalhar do que para cuidar da educação.

 

 

 

 

 

 

 

 

A outra parte do que saiu nos holofotes este ano foram os ataques às universidades públicas. Como parte da estratégia de divulgação de “fake news” (nome mais eufemístico para mentiras) contra grupos julgados contrários ao governo, foram duas grandes ondas de ataques, que seriam alertas sobre uma propalada “imoralidade” geral nas universidades:

  • uma no primeiro semestre, voltado ao aspecto da “indecência”. Nesse momento, tratou-se de divulgação, via whatsapp, de material envolvendo montagens (com fotos com legendas “ilustrativas” de algumas das principais universidades públicas do país) em que se mostravam alunos nus ou semi-nus, em salas de aula ou em locais abertos; outro conjunto de fotos mostrava paredes pichadas.
  • outra no segundo semestre, específico sobre o uso de drogas. Dessa vez, os ataques foram oficiais; partiram do próprio ministro. E os divulgadores de fake news distribuíram o próprio pronunciamento do ministro como “prova” ou “evidência”. (Vide o vídeo do Deputado Alessando Molon em que coloca os pingos nos ‘is’ sobre tais inverdades.)

Entremeados entre esses eventos, encontram-se algumas notícias que demonstram alguma discussão sobre temas efetivamente relativos à educação. Sempre esses temas tiveram a ver com questões “ideológicas”, ou assim consideradas pelo governo: Paulo Freire (e muito especificamente seu método de alfabetização) e a chamada “ideologia de gênero”. Nesses casos, nota-se que a abordagem é a da destruição autocrática, sem construção. Isto é:

  1. os temas não são colocados em debate público;
  2. especialistas não são consultados sobre os temas;
  3. não se propõe nada para ficar no lugar.

 

 

Não é preciso ser especialista em educação para perceber onde tudo isso vai dar. É sabido que o cenário no País é muito ruim no que tange à Educação. A tendência é que isso venha a piorar. Temos no poder um grupo desarticulado, que não sabe elaborar políticas públicas. Seu interesse é disseminar o ódio para se perpetuar no poder. Se a população ainda por cima apoiar o governo de extrema direita em tais devaneios e disseminar fake news, o pouco que havia sido construído pode ser destruído de uma vez. Pois eu aprendi muito cedo que é fácil destruir, mas muito difícil construir algo.

 

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